Geb e Nut: O Mito da Separação e a Via Láctea no Céu Noturno
Na mitologia egípcia, Geb e Nut são duas das divindades primordiais do cosmos. Geb representa a Terra, enquanto Nut personifica o céu. Seu mito está intimamente ligado à criação e à organização do universo segundo as crenças egípcias. A história narra que, no início dos tempos, Geb e Nut estavam unidos em um abraço eterno. Entretanto, essa união impedia a existência do mundo dos seres vivos. Assim, o deus do ar, Shu, interveio para separá-los, erguendo Nut para o alto e estabelecendo uma barreira entre a Terra e o Céu. Dessa forma, o espaço foi criado, permitindo a manifestação da vida.
Nut foi então associada ao céu estrelado, sendo frequentemente representada como uma figura arqueada sobre Geb, seu corpo coberto por astros. Acreditava-se que ela engolia o Sol ao anoitecer e o dava à luz novamente ao amanhecer, simbolizando o ciclo diário. Já Geb, por ser a Terra, era retratado deitado abaixo dela, com vegetação e rios sobre sua pele, indicando sua conexão com a fertilidade e a vida.
A representação de Nut arqueada sobre Geb lembra diretamente a imagem da Via Láctea no céu noturno. Nos desertos egípcios, longe da poluição luminosa moderna, a faixa estrelada da Via Láctea era uma visão marcante. Muitos estudiosos sugerem que os egípcios podem ter visto essa formação celestial como a própria Nut, estendida sobre o mundo, seu corpo pontilhado de estrelas. Esse paralelo reforça a ideia de que a mitologia egípcia não apenas explicava o mundo físico, mas também se inspirava diretamente em fenômenos astronômicos visíveis.
Além disso, a associação de Nut com a regeneração do Sol pode estar relacionada ao movimento das estrelas ao longo da noite. A forma como a Via Láctea se desloca no céu pode ter sido interpretada como a própria Nut em seu papel de guardiã do ciclo cósmico.


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